Um condomínio chamado Brasil.

Resido em um condomínio chamado “Morada Brasil”. É um condomínio grande, com 26 blocos e uma unidade “especial” chamada Brasília que fica dentro de um destes blocos. Lá mora a síndica e toda a diretoria que, em partes foi escolhida por ela própria, e parte eleita em votação na assembléia geral de moradores que ocorre de quatro em quatro anos. Cada um destes blocos tem um subsíndico que procura administrar exclusivamente o seu espaço e conselheiros que participam de assembleias na unidade especial citada acima.

Eu resido no Bloco Santa Catarina, que fica entre os blocos Rio Grande do Sul e Paraná, mas todos nos orgulhamos e enchemos o peito ao falar que residimos no “Condomínio Morada Brasil”. mas este é um assunto que irei tratar em um outro texto, porque como vocês sabem, vizinhança tem assunto pra encher uma enciclopédia.

Pois bem, há muitos anos nosso condomínio vem sendo administrado por duas chapas distintas, os azuis e os vermelhos. Há cerca de 12 anos, os moradores que estavam descontentes com a administração dos azuis, em uma das assembleias elegeu um morador que inicialmente morava no bloco Pernambuco, depois se mudou para o bloco São Paulo e lá ajudou a fundar a chapa vermelha há muitos anos. Na época lembro que estava em minha segunda assembléia como votante, bons tempos.

Lembro-me que não votei no candidato da chapa vermelha, mas a maioria dos moradores clamava por mudança visto que lá nos idos de 1992 se não me engano, tivemos o primeiro processo de impeachment de síndico da história do condomínio Morada Brasil. Mas o que também lembro é que o síndico, um jovem senhor chamado Fernando Collor, que gostava de carros importados, andou comprando um Fiat Elba com dinheiro que possivelmente teria origem ilícita e aí já viu, “The house is down” como diria o meu ilustre professor Eduardo Sabbag, e no bom português: A casa caiu.

O pivô do caso que fez com que o síndico Fernando renunciasse ao cargo foi seu tesoureiro de campanha, o senhor Paulo César Farias. PC Farias como era conhecido na vizinhança foi quem administrou todos os recursos para que Fernando fosse eleito o síndico do nosso condomínio, mas, após ser descoberto por transações ilícitas colocou a boca no trombone e tocou uma bela sinfonia. Um dos líderes dos vermelhos na época, Sr. Lula liderou a revolta para pedir o Impeachment de Fernando.

Pois bem, os azuis ainda tiveram mais algumas chances em assembleias posteriores com outros síndicos como, Itamar Franco e Fernando Henrique, mas os moradores entenderam que o Morada Brasil precisava de mais. em 2003 trocaram os azuis pelos vermelhos, primeiro com o metalúrgico Lula por dois mandatos, (aquele do bloco Pernambuco que se mudou pro Bloco São Paulo), e depois com a Sra. Dilma que está a frente do condomínio hoje frente a uma crise generalizada. Dizem alguns moradores que a Sra. Dilma em sua juventude foi inclusive assaltante de Banco, sequestradora e até mesmo guerrilheira, mas eu não acredito que os moradores do nosso condomínio iriam colocar uma criminosa para cuidar do nosso patrimônio. Mas volto a este assunto em outro texto também.

Então, pra resumir, ontem, 15 de de abril de 2015, doze anos após os vermelhos estarem a frente do condomínio, acordamos com a Polícia Federal na Porta do Bloco São Paulo pra levar pra cadeia o tesoureiro da da chapa dos vermelhos sob acusação de inúmeras irregularidades. E aí eu pergunto: o que teremos mais a frente aqui na vizinhança??

Ah, quase ia esquecendo, lembra o Fernando Collor que foi síndico e renunciou lá em 1992? poisé, hoje ele é aliado dos vermelhos, vai entender.

Volto pra contar pra vocês, porque sei que fofoca de vizinho todo mundo gosta de saber.

Anúncios

“Em tempos de exibição do ódio brasileiro, um trecho de Darcy Ribeiro”

Li o texto e achei muito interessante, além de vir na mesma direção do meu pensamento. Assim creio que valha a pena ser replicado, lido, refletido e debatido.

darcy ribeiro“Nenhum povo que passasse por isso [escravidão dos negros] como sua rotina de vida, através de séculos, sairia dela sem ficar marcado indelevelmente.

Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual a mão possessa que os supliciou.

A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da marginalidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria.

A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para conter os processos e criar aqui uma sociedade solidária”  (O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro).”

Redução da Maioridade Penal. Solução ou Desespero?

Esta semana voltou à tona o assunto da redução da maioridade penal no Brasil. Assunto polêmico, que infla os ânimos de qualquer um que ousa entrar nesta discussão. Pois bem, seria a solução reduzir a maioridade penal ou desespero desta sociedade que não conseguiu educar a geração que hoje tem até 18 anos incompletos.

Todos os dias recebemos notícias de algum crime praticado por menores ou atribuídos a eles. Isto se dá porque o Estatuto da Criança e Adolescente, Lei de 1990 é tão belo quanto o mais grandioso dos best sellers vendidos ao redor do mundo; no papel emociona, mas na vida real não tem o menor sentido.  Construiu-se uma Lei visando a ressocialização de menores infratores e se ofereceu para isso as mesmas masmorras do sistema penitenciário nacional para depositá-los. Ressaltando que enfrenta-se o problema de saber quando há vagas nestas “masmorras”.

Não sou advogado militante na área criminal e nem na área de infância e adolescência, porém, opino como qualquer brasileiro acerca do projeto de redução da Maioridade Penal. Sou veementemente contra, não pela questão romântica que leva a grande maioria dos defensores dos menores infratores a defender a causa. Mas pela lógica.

Nossos presídios já estão superlotados hoje, e, com a redução da maioridade penal, iremos colocar os criminosos onde? Construiremos novos presídios? Ou novas futuras “masmorras”, como queiram.

Que tal investir em educação? construção de escolas, salário e condições dignas aos professores? O “quórum” é inversamente proporcional: ESCOLA VAZIA, CADEIA CHEIA – ESCOLA CHEIA, CADEIA VAZIA. Logicamente que não é tão simples assim, mas é um começo.

Podem me perguntar o que fazer com os menores infratores de hoje? Respondo. Senhores governantes, representantes do povo, sigam a Lei e deem condições para que elas possam ser aplicadas. Não queremos milagres, queremos o cumprimento das Leis e só!!!